Ao participar do evento promovido pela Associação Mundial do Carvão em Londres, em janeiro deste ano, acompanhando o presidente da Associação Brasileira do Carvão, engenheiro Fernando Luiz Zancan, fiquei bem impressionado com a coragem das palavras do ministro de energia do Reino Unido, sr. John Haynes, que afirmou que a Grã-Bretanha deve colocar o carvão na coalizão que participa do governo, apoiando o desenvolvimento de tecnologias limpas em especial a Captura e o Armazenamento do Carbono (CCS). Haynes afirmou que o CCS é uma indústria que nasce e que trará muitos empregos para o seu país, além de dar segurança energética e sustentabilidade. Poucos falam do carvão abertamente, pois acham isso politicamente incorreto no mundo da energia. O carvão representa 41% da energia elétrica gerada no mundo, é mais barato, abundante e está transformando as sociedades pobres, especialmente da Ásia (China), retirando milhões de pessoas da pobreza.
Na política da energia, há muita hipocrisia. Falam e vendem as energias verdes, mas na hora da segurança energética utilizam as térmicas. No caso da Europa, a França é o pilar da segurança energética de vários países, com sua produção de energia térmica nuclear. A Polônia, com suas térmicas a carvão, suporta com energia firme outros países que usam energia renovável, inclusive a Alemanha, que inaugura térmicas a carvão e desativa as térmicas nucleares. Ou seja, ninguém abre mão da segurança energética que é vital para o desenvolvimento do países. No Brasil, falam que as térmicas são caras e sujas, mas com o susto que passamos de um possível racionamento ficou evidente a importância deste tipo de energia firme. Como disse a presidenta Dilma Rousseff, vamos ter que duplicar nosso parque gerador para suportar o crescimento do Brasil. Portanto, precisaremos de todas as fontes energéticas e não podemos demonizar as térmicas, incorporando-as ao nosso parque gerador. Temos uma enorme reserva de carvão em Santa Catarina que deve ser usada para gerar energia, gás e outros produtos. Usando o estado da arte das tecnologias limpas, desenvolvermos uma indústria que gera emprego e renda e desenvolvimento para o nosso estado sem que venha a comprometer o meio ambiente.

